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domingo, 15 de março de 2009

Coração postiço

Alguém disse certa vez que eu usava as pessoas... Usar. Eu queria é saber usar, porque se soubesse deixaria de me importar, afinal, eu já não tenho feridas o suficientes? Claro que não, ainda não, ainda tenho um tanto de saúde para levar umas bofetadas. E você, quer me esbofetear hoje? Nada que umas boas porradas, nada que eu na minha sincera canalhice não mereça, não é?

Eu procuro resposta nos fundos das garrafas, nos quartos de motel, nos lençóis suados de pesadelos, que costumavam ser sonhos, sonhos de filhinhos gordinhos e vestidos brancos de caudas longas, que hoje me parecem uma coisa tão insana e desajustada. Eu tenho asco ao amor, ao mesmo tempo que me viciei nessa coisa estúpida de ter um coração. Queimem os romances. Queimem todos!

Shakespeare, quero transar com você! Afinal você sabe que de alguma maneira ou de outra, todos os relacionamentos têm prazo de validade e estão fadados ao fracasso. A tragédia não é comovente? Por que alguém quer entrar num trem que vai descarrilhar no fim do túnel? Vocês, pessoas gordinhas, rechonchudas, de maças rosadas e alimentação saudável POR QUE VOCÊS FAZEM ISSO? Depois eu que sou a suicida, que gosto de me cortar e cair de bêbada. A normalidade me assusta e a sobriedade me comove, eu preciso de álcool para aguentar a vida. Como vocês, pessoas normais, suportam? Jack, preciso de você, curtido no carvalho só para o meu prazer.

Eu sou rude, grosseira, vadia, foda-se, pelo menos eu não estou aí concebendo desilusões e povoando o mundo de filhos desesperançosos e desgostosos da vida. E eu sorrio, olha que legal, sorrio porque sou confortavelmente feliz em deixar minhas feridas no cantinho delas, sangrar pra quê? Para curar essas feridas e ter outras? O que me faria pensar que novas feridas são melhores que as antigas?

A embriaguez me deixa lúcida, lúcida para saber que é melhor ter orgasmos à feridas frescas. E a lucidez em excesso me machuca, nas noites de sábado, quando eu penso que queria tanto um cafuné e um filme bobo na televisão, daqueles dublados, bem pedreiros, porque eu já teria todos os motivos para sorrir, com amor, carinho e toddynho quente.

Eu sou uma vampira, me alimento da vida, dessa simbiose com o mundo. E é duro me manter assim, estou à dois passos de ser humana, mas para que seria? Para que ser humana, sentimental, boba, irracional... Eu sempre quis ser a mocinha, mas sou a vilã que tira a virgindades dos incautos, à força, por puro hedonismo, mesmo dizendo que estou fazendo isso. Fico pensando, é simples ser um serial killer, hoje quando você diz que vai matar alguém, ninguém te escuta. "Olha minhas presas, quero matar você, sugar seu sangue, abusar do seu corpo" e a presa fica lá, atônita e não me venha dizer que isso amor, porque ninguém ama assim tão rápido, cacete, eu não acredito no seu sentimentalismo! Tanto por ele ser prematuro e vazio, como por medo de acreditar e cair em outra teia, que não seja a minha, que eu já conheço as tramas. Bastardo! Eu me importo com o seu coração, não quero roubá-lo, ele já não se encaixa no meu peito e morreria lá. Eu sinto alguma coisa, em algum lugar dentro das entranhas, que me faz te querer e cuidar de você, te proteger de mim.

Eu sou vampira e queria poder ter um coração de marfim, a pedra bruta já me cansou.

1 comentários:

Anônimo disse...

gostei desse ai nao sei porque nao sou muito de ler essas coisas mas esse ai ficou show...bejus ate mais