Eu ando sozinha. Tão sozinha que às vezes nem sinto à mim. Eu tenho andado cansada. Esmorecida. Eu tenho levado porrada. Tantas que a única certeza que tenho é que ainda respiro e respirar é tudo que sou. Oxigenio e pulmões.
Eu já fui corajosa, já fui covarde, já fui forte, fraca, apaixonada, fria, sensível, insensível, amiga, amante. Já fui puta e já fui santa. Na sordidez das ruas eu procurei um lugar pra mim, vaguei, voei e cai. Cai do infinito da graça por toda profundeza do inferno.
Hoje os bares parecem vazios, as pessoas parecem insuficientes. Tudo já foi festa e agora só resta o trabalho de limpar a bagunça. Eu gostaria de achar algum prazer na vida além de simplesmente reconstruir tudo aquilo de que me arrependo. Eu gostaria de ver algo no simples fato de viver. O que me move? O sol, a chuva, o dia, algum outro ser humano familiar talvez.
Eu estou reaprendendo a voar, não tenho confiança pra alçar vôo. O céu parece um sonho distante demais para as minhas pequenas mãos de ogro.
Não! Eu não quero ler os jornais, não quero revistar, não quero saber de livros ou músicas. Quero o silêncio da razão. Quero tudo que me sobrou dela. Não quero saber do meu tempo. Não quero ouvir seus conselhos. Não quero fazer o que pessoas da minha idade fazem. Sou uma jovem velha rabugenta. E eu estou muito bem assim, obrigado. Talvez não tão bem, mas tenho certeza que nas ruas encontro coisas infinitamente piores que a solidão.
A cada dia eu fico mais velha, mais seca, mais azeda. Eu não sei mais como é ser humano como outros humanos. Talvez eu não seja humana. Ou ainda talvez seja demasiada humana. Eu realmente não sei quem sou.
Eu não vejo mais amigos, não gosto de conhecer homens, nem mulheres, não sei o que é sair de casa. Tudo é cinza. Tem partes do meu corpo que eu simplesmente nem se funcionam mais. Se eu sei usá-las. Eu realmente estou perdida.
Eu me sinto catatônica
Eu morri?
sábado, 11 de julho de 2009
Eremita
Postado por Arlequina às 22:09
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