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sábado, 22 de agosto de 2009

Saudade

Ela pensou nele. Não pensou somente. Existiu. Naquele pensamento ele existiu como tudo que se sabe que existe e não pode ver, como os átomos, como as moléculas da água. Em algum lugar da consciência, do espaço, do tempo, ele existiu junto à ela. Ele chegou. Abriu a porta. Não disse nada. Não precisava dizer. Olhou para ela com olhos sem cor, só sentimentos. Passou as mãos no cabelo dela, meio sem jeito e olhou para ele como se o tempo não existisse, como se não houvesse tempo, como se não houvessem hiatos. O tempo fluía de consciência em consciência naquele pensamento que eles existiram juntos como o firmamento. Ela talvez esperasse poder tocá-lo. Poder sentí-lo. Mais do que esperar. Ela desejava. Como uma tempestade, a eletricidade corria em ambos, criando um campo magnético difícil de repelir. E na consciência, aquilo existiu da forma que ela quis que existisse, um infinito de possibilidades e sentimentos despertos. Sentiu-se arrepiada. Ele pode sentir os arrepios dela e a beijou....

E ela pensou: O que é real?

ouvindo Pink Floyd - How I Wish You Were Here

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