Acordo e vomito mais uma balde de esperanças, um déjà vu terrível de uma noite pior ainda. Insônia, cigarro, enjôo, gripe, solidão, não necessariamente em seqüência, mas a ordem dos fatores não altera o resultado. Quem-é-que-disse-isso-mesmo?. Dor. Cansaço. Um copo d'água por favor.
Lembro de Álvares e penso que a minha noite na taverna não é nem um pouco interessante, nela só estou eu, eu e minha bebida e todos aqueles amores são meus. Amores imaginários. Sonho de one night stand. E eu que só queria um pouco mais, continuar de onde parou e não avançar mais. Só repetir. Repetir à exaustão. Àquela.
Sento na taverna e me servem um copo de sonhos, quente e delicado como haveria de ser, aprecio o aroma, sinto o buquê e quando vejo, não há mais bebida alguma. Franzo o cenho. Era um sonho a taverna? Era um sonho a bebida? Ilusão? Devaneio ou me tiraram mesmo o gosto de sonhar?
Na taverna o som confuso da batida eletrônica e mecânica, dos corpos dançantes e apaixonados. Olho um casal. Olho outro. E mais outro. Parece um filme. Um pouco selvagem demais eu diria, mas é assim nesse mundo. Um beijo de despedida e vão-se os corpinhos para norte e para sul. Por que não mandar o outro se foder logo de uma vez, será assim no dia seguinte de qualquer maneira. Por quê? Por que se beijam na despedida? Observo e vejo um mundo que não é meu. Ou talvez eu que não seja boa para este mundo.Vai saber.
E quando sol se levanta no horizonte nublado e resfolega seus raios na serra longínqua, eu sinto a ressaca, não àquela da embriaguez, faltaria-me o álcool, mas àquela outra que vem do oceano e leva tudo embora deixando o rastro de destruição e o vazio da esperança.
Moço me sirva um café dessa vez. Preto, forte e amargo.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Ébria
Postado por Arlequina às 04:12
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